Existem sagas de fantasia compostas por volumes enormes e outras por uma grande quantidade de livros. Na minha opinião é isso que as torna interessantes e acho que são melhores ainda quando, nalguns casos, se combinam os dois fatores. Contudo, isto traz ao de cima um dos receios mais recorrentes que tenho: o de investir o meu foco numa saga que ainda não foi concluída ou que já foi concluída mas não foi traduzida nem publicada em Portugal.
Felizmente domino muito bem o inglês e sei que poderia encomendar os livros da Amazon ou dos sites das editoras originais. Compreendo também que isso me traria a vantagem de ler o que realmente foi escrito pelo autor e não uma tradução em que as palavras podem não ter a mesma conotação e perder o impacto. Aparentemente são só vantagens, certo? Talvez sim. Mas existem dois entraves: o primeiro é o facto de eu gostar de ler na minha língua mãe. Facilita-me a leitura, dado o meu défice de atenção. O segundo é o meu orgulho em ser português. Admiro a nossa língua e acredito que temos ótimos tradutores; conhecedores do género, com uma vasta experiência e que fazem das suas traduções verdadeiros exemplos de dedicação. É por isto que peso sempre a minha decisão de comprar um livro de uma saga que está a chegar a Portugal.
A última vez que decidi mergulhar numa saga assim foi quando "A Roda do Tempo" foi novamente publicada pela Bertrand, a propósito da estreia da série na Amazon Prime Video. Comprei os dois primeiros à medida que foram sendo relançados e azucrinei a cabeça à família e amigos, nos natais e aniversários, para me oferecerem os seguintes. Cheguei ao livro 6, que foi tão longe como a Bertrand chegou desta vez. Quando a resposta dos livreiros sobre o sétimo livro começou a ser um encolher de ombros que dizia "Lamento, mas não temos informação sobre quando sairá o próximo", comecei a questionar-me sobre se teria sido uma boa escolha dedicar-me assim a esta saga. Claro que foi. É uma pergunta estúpida, eu sei. Nunca é mau dedicar-me à leitura de uma série que me dá tanto gozo. Ainda assim, não deixa de ficar uma pequena tristeza por ter uma saga incompleta e ter de ir em busca das tais soluções alternativas para concluir a leitura.
Naturalmente, quando me deparei com "O Caminho dos Reis" de Brandon Sanderson, soube que tinha de o comprar. Nunca tinha lido nada dele mas conhecia o nome por ter terminado "A Roda do Tempo" após o falecimento de Robert Jordan. Quando peguei no livro a incerteza assombrou-me novamente. "Será que vão publicar todos?" "Será que vale mesmo a pena?". Comprei-o a medo e, recentemente, interrompi a releitura de "As Crónicas de Gelo e Fogo" para me dedicar a este pequeno gigante de mil e tal páginas. Estou a adorar cada capítulo mas o receio continuava presente, como que uma voz baixinha que semeia discórdia e desconfiança.
Mas (e este é um bom "mas"), o Instagram da Kathartika trouxe novidades para acalmar a minha incerteza e a de toda uma base de fãs que ficou em êxtase com as notícias. A editora confirmou que pretende traduzir e publicar toda a saga e que o livro 2 será publicado no primeiro trimestre de 2025.


Esta decisão e o seu comunicado não só representam uma ótima notícia para os fãs da saga como também espelham a dedicação da editora a esta saga e ao seu autor. Penso que reflete um compromisso firme de trazer o que os leitores procuram. Poderiam ter-se escondido por detrás dos números de vendas e justificar futuras decisões com eles, mas não o fizeram. No fundo, todo este post é a minha forma de agradecer e parabenizar a Kathartika pelo seu trabalho e dedicação.
Até já e boas leituras.
Isaac Barradas